
Hoje acordei meio chateado. Talvez porque é terça , dia da semana que não gosto. Mas pareceu-me ser mais. No caminho para o trabalho, pensei no mundo que vivemos, mas também no mundo que vivi até agora. Não que seja diferente, não que seja igual. Apenas acho que os interesses são outros, o desinteresse é o mesmo.
Pois lendo o New York Times, vejo que o boxeador Joe Frazier faleceu. Para quem não estava vivo, ou não curtia essas coisas, em 1971 houve uma luta daquelas inesquecíveis. De um lado, Cassius Clay, que havia se transformado em Muhammad Ali. Alto, dançarino, bonito e desafiador. Querendo recuperar o seu título, confiscado por sua recusa de lutar no Vietnam. Do outro, o campeão Frazier, baixinho em relação a Ali, atarrancado, parecia mais um mecânico. Nessa luta, em Nova York, Frazier venceu e deixou todos com a impressão que Ali já era.
Os dois ainda lutaram mais duas vezes. A segunda, que não valia título, foi vencida por Ali, por pontos. Mas a terceira, quando Ali era , de novo, campeão ( vencera Foreman, o cara do grill , no Congo) foi considerada por muitos a verdadeira luta do século. Ali era debochado, mandava beijos para a primeira dama das Filipinas ( a luta se deu em Manila ) , a Imelda dos mil sapatos Marcos. E começou bem melhor. Mas Frazier se recuperou e equilibrou a luta.
Nos últimos rounds, tudo era possível. Até que Frazier não aguentou e o seu treinador, no último round, pediu para o juiz interromper . Frazier , mesmo acabado, nunca se conformou com isso. E Ali, num ato de total sinceridade , disse que foi o momento onde ele esteve mais perto da morte.
Voltando ao meu dia-a-dia. Penso em Ulisses que voltou para seu reino, uma Ítaca tão cotidiana, sem aventuras , tão pouco colorida. Acho que a rotina tem dessas coisas . Mas, enfim, ainda estou longe dos últimos rounds, não é mesmo ?
( Mas será que tudo é possível ? )