o novo blog do rick

my ever changing moods

20

de
dezembro

Mal comparando

Quando eu vejo alguém chamar o Fernando Henrique de intelectual ou de estadista, penso no Vaclav Havel, presidente da Tchecolosváquia. Digamos que Havel, físico e dramaturgo, seja um Barcelona. E o FHC, um Santos.

Já o Lula, bem, esse é um Cortinthians.  

4

de
dezembro

A cicuta

Morrer aos cinquenta e sete anos, nos dias de hoje, é algo inesperado. Pois leio que o ex-jogador Sócrates partiu. Para quem não o viu jogar, era um futebolista especial. Inteligente, com visão de jogo, usando o calcanhar, sabia armar e chutar. Parecia desengonçado e era. Mas , num mundo onde se chamam bons jogadores de craques, era um exceção. O cara era mesmo um craque.

Médico, bocudo, defensor de ideias democráticas, perdedor da celébre copa de 82 ( onde tivemos a seleção dos sonhos ), ídolo do Corinthians , não era mal visto por  torcedores de outros times . Depois , ao se aposentar, virou irmão do Raí, outro jogador diferenciado.

Penso no Sócrates como alguém que viver os anos oitenta, mas que não soube sair deles. Afinal, bebia-se, fumava-se , transava-se, jogava-se,discutia-se e imaginava-se um país que não tínhamos. E perdíamos a década , as copas, as diretas-já, as eleições e o que é pior , as ilusões.

Sócrates não cabia mais nesse mundo, era um sonhador. Não entendia a CBF, a Copa no Brasil desse jeito, além de pouco representar nos outros assuntos. Quando foi jogar na Forentina , foi um fracasso. A imprensa de lá dizia que queriam um jogador e não um filósofo.

Morreu de cicuta , como o seu xará. Mas não estão os anos oitenta , todos, mortos ? 

1

de
dezembro

What can I do to make you care ?

Se tem situação que me arrebenta é quando uma moça dá um pé no traseiro de um cara. Ou o contrário. E não precisa ser casal de namorados, paqueras ou assemelhados. Por exemplo, amizade no facebook.

Eu tenho poucos amigos no fb e quando um sai eu logo percebo. Nesta semana, uma amiga minha me tirou da sua relação de amigo e eu, confesso , não fiz fofoca contra ela, nem vodu, nem malcriação. Foi um ato totalmente injustificado !

No filme Evita, tem uma hora que a Madonna/Evita, chega para uma mocinha moreninha que era o caso do Peron e coloca-a na rua rua da amargura . E o general não quer nem se lembrar dos momentos felizes. Pois a triz do filme é a cantora irlandesa Andrea Corr , da banda Corrs. Desde esse dia, fiquei sempre com peninha da Andrea e torci para que ela arrumasse um cara bem legal .

E esse dia chegou, pelo menos no que diz respeito à amizade do facebook. Já que minha ex-amiga não me quis, ofereci o meu ombro amigo para a Andrea, que logo que incluiu na lista dos privilegiados amigos dela .

E para quem me deu um pé , canto what can I do ? com a doce voz da irlandesa.

O único defeito da minha nova friend é que ela é taurina…

 http://www.youtube.com/watch?v=lPRGaHETh1w

http://www.youtube.com/watch?v=6wTHjYcsdQ0

30

de
novembro

Keira on the wall

Achei essa capa de livro sensacional.

Por conta de ser a Keira Knightley nas fotos da parede.

Só por isso.

30

de
novembro

Férias chegando

Não sei se é por conta das férias que estão chegando, me lembrei de uma revista que vi um dia na casa de um bacana e que me marcou muito. Ela se chamava Holiday e trazia textos de escritores barra pesada ( Hemingway, Faulkner, Bowles, Bellow, Kerouac) , mas também outros menos famosos mas tão bons quanto, fazendo a gente querer ir para determinados lugares, pelo mundão.

Hoje em dia, todos os guias ou textos de viagem são onde comprar, onde comer, onde tirar fotos. Nessa revista era diferente. Era o que o escritor sentiu quando esteve lá. E isso me parece mais legal.

Procurei na internet, só vi as capas. Parece que a revista morreu em 1977, mais ou menos quando visitei o bacana que lia a revista.

Uma amiga me perguntou se vou para Paris nas minhas próximas férias. Eh, calma, Paris pode ser uma festa, mas não é para o meu virou, mexeu, lá vou eu. Pretendo uma praia por aqui mesmo.

Mas de qualquer forma, na internet achei uma coleção de capas da revista.

E gostei muito dessa, de um exemplar de 1967.

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8

de
novembro

From Pasadena

Quem me conhece sabe que fui criado na Barrra Funda e a este bairro devo muita coisa. Mas às vezes não entendo as grandes transformações urbanísticas que lá vem ocorrendo. Mais até. Fico pensando como fui longe na minha vida . Sinto-me como o personagem do Meia Noite em Paris, do Woody Allen. O sujeito está na cama , sem acreditar no que está ocorrendo. Ele pega um taxi, toda meia noite, que o leva para o passado, para ser amigo de Hemingway, Dali e Picasso. E comenta para si mesmo : Eu, que vim da Pasadena…

Bem, o ator se chama Owen Wilson e é um cara quente em Hollywood. Namorou com a Kate Hudson, com a Demi Moore e com a Sheryl Crow. Mas nada disso me causa inveja. Eu queria mesmo era estar na escadinha atrás da igrejinha Abade Saint Etienne , em Paris, esperando o taxi para me levar para o encontro com T S Eliot.

Ou para a Barra Funda da minha infância.

Ou ficar em Paris mesmo.

Ou have some fun …     http://www.youtube.com/watch?v=X5ouOa9k0gE

8

de
novembro

Mais perto do fim

Hoje acordei meio chateado. Talvez porque é terça , dia da semana que não gosto. Mas pareceu-me ser mais. No caminho para o trabalho, pensei no mundo que vivemos, mas também no mundo que vivi até agora. Não que seja diferente, não que seja igual. Apenas acho que os interesses são outros, o desinteresse é o mesmo.

Pois lendo o New York Times, vejo que o boxeador Joe Frazier faleceu. Para quem não estava vivo, ou não curtia essas coisas, em 1971 houve uma luta daquelas inesquecíveis. De um lado, Cassius Clay, que havia se transformado em Muhammad Ali. Alto, dançarino, bonito e desafiador. Querendo recuperar o seu título, confiscado por sua recusa de lutar no Vietnam. Do outro, o campeão Frazier, baixinho em relação a Ali, atarrancado, parecia mais um mecânico. Nessa luta, em Nova York, Frazier venceu e deixou todos com a impressão que Ali já era.

Os dois ainda lutaram mais duas vezes. A segunda, que não valia título, foi vencida por Ali, por pontos. Mas a terceira, quando Ali era , de novo, campeão ( vencera Foreman, o cara do grill , no Congo) foi considerada por muitos a verdadeira luta do século. Ali era debochado, mandava beijos para a primeira dama das Filipinas ( a luta se deu em Manila ) , a Imelda dos mil sapatos Marcos. E começou bem melhor. Mas Frazier se recuperou e equilibrou a luta.

Nos últimos rounds, tudo era possível. Até que Frazier não aguentou e o seu treinador, no último round, pediu para o juiz interromper . Frazier , mesmo acabado, nunca se conformou com isso. E Ali, num ato de total sinceridade , disse que foi o momento onde ele esteve mais perto da morte.

Voltando ao meu dia-a-dia. Penso em Ulisses que voltou para seu reino, uma Ítaca tão cotidiana, sem aventuras , tão pouco colorida. Acho que a rotina tem dessas coisas . Mas, enfim, ainda estou longe dos últimos rounds, não é mesmo ?

( Mas será que tudo é possível ? )

4

de
novembro

Não sei mas pelo menos é bonita

“Só existimos quando fazemos “. Palavras sábias do Padre Vieira. Pois a Luana Piovani tuitou isso, citou a fonte e achou o máximo. Aí o seu namorado, quis saber de que paróquia era esse tal Vieira. E ela, autêntica, confessou que não sabia. Mas que tudo levava a crer que era de São Paulo.

É motivo de chacota. Bem,que o pessoal caia em cima, mas eu tenho que defender a Lu. O Padre Antonio Vieira foi uma das mais destacadas figuras na corte romana da Rainha Cristina da Suécia. E eu, em que pese a mania de imaginar Cristina com jeitão de Greta Garbo, tenho certeza que a soberana não entendia nada que o Padre dizia. E era feia de doer, coisa que a nossa Luana nunca foi, é ou será.

Ah, Brasil. A moça fala besteira , é chamada de burra. Mas há quem fale algo semelhante e é considerado estadista…

2

de
novembro

Acabamos nos esquecendo do principal

Temos vivido com tamanha intensidade dois fatos ( a polêmica SUS e o ex-presidente , a USP entre a PM e a maconha) que acabamos nos esquecendo do aniversário do Drummond.

Acho que há muita ingenuidade nos debatedores.

E o que é pior. Uma ingenuidade do Leblon…

 Os inocentes do Leblon
não viram o navio entrar.
Trouxe bailarinas?
trouxe imigrantes?
trouxe um grama de rádio?
Os inocentes, definitivamente inocentes, tudo ignoram,
mas a areia é quente, e há um óleo suave
que eles passam nas costas, e esquecem.

30

de
outubro

O lamento de Swann

Quando leio que uma pessoa importante da política está doente,  que terá que fazer quimioterapia e que nesse tempo ele terá que ser humano e se ausentar do dia-a-dia tão público , penso num comentário do personagem central do Em busca do Tempo Perdido, Charles Swann , de Marcel Proust , um dia fez:

“O que lamento nos jornais é que nos fazem prestar atenção todos os dias a coisas insignificantes, enquanto lemos três ou quatro vezes na vida os livros em que há coisas essenciais.”

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