
Não, prometo não dizer que tudo que nasceu em 1972 é ótimo , da Ivete ao Exile on main street, mas… Vejo que as edições da Folio, os livros de bolso franceses , estão completando quarenta anos agora. Logo, mais um tento para o ano .
Pois foi justamente neste ano que comecei a frequentar a Livraria Francesa , na Barão de Itapetininga e me meti a ser leitor na lingua do croissant e da champagne. E como dizia o Barão de Charlus: “não sem esforço…” Tinha tido quatro anos de francês no meu ginasial e achava que dava para encarar. Bom, sei lá, apanhei um bocado, mas enfim, voilá e etecerá.
Mas falemos das edições Folio. Bem feitas, com capas lindas, sempre com fundo branco, papel jornal e letras escuras, textos clássicos, fino biscoito. E, principalmente, que cabiam no meu bolso de estudante . Mas depois quando o câmbio ficou sem graça e o meu salário risÃvel, a Folio continuou entrando na minha casa graças a umas cestas de vime que a Livraria Francesa colocava nos cantos, cheia de livros pechinchados , saldões com o precinho escrito a lápis na última página.
Pois foi nessas bacias das almas que comprei todo o meu Proust e aà passei os meus mais recentes anos na Swannlândia.
Vejo que há livros de bolso nas bancas, acho que são da LPM. Há os da Companhia das Letras, que tem um jeitão da Penguin. Já sonhei em ter uma estante cheia de livros clássicos como os da Pleiade , da Nova Aguilar em capas refinadas.
Mas sou louco por 1972, pelas quarentonas (editoras, claro )  e pela busca do tempo perdido . Dizem que há uma edição chamada Folio 1623 , do William Shakespeare, que vale uma fortuna. Deve ser , no entanto, menos valiosa que o brilho do menino que fui quando comprei o meu primeiro livre de poche , sem entender nem dez por cento do que estava escrito.
Aliás, nem me lembro que livro foi.
 Mas era da Folio.Â
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