o novo blog do rick

my ever changing moods

20

de
fevereiro

Denatus obiit

O latim era usado nas falas dos advogados e nos epitáfios.

Pois na lingua romana, há a seguinte diferença: denatus quer dizer não nascido. Já obiit significa morto.

Uma criança de três anos morreu, atropelada por um jet ski pilotado por outra de doze .

Dura lex sed lex, no cabelo só gumex.

Como um pai deixa o seu filho pegar numa máquina mortífera como essa ?

2

de
fevereiro

Ainda Szymborska

As três palavras mais esquisitas

Quando digo a palavra futuro,

A primeira sílaba já é passado.

Quando digo a palavra silêncio,

Eu o destrui.

Quando eu digo a palavra nada,

Eu faço algo que o vazio não sustenta.

(Poema da poeta polonesa Wislawa Szymborska, traduzido por mim )

 

28

de
janeiro

Folio quarentona

Não, prometo não dizer que tudo que nasceu em 1972 é ótimo , da Ivete ao Exile on main street, mas… Vejo que as edições da Folio, os livros de bolso franceses , estão completando quarenta anos agora. Logo, mais um tento para o ano .

Pois foi justamente neste ano que comecei a frequentar a Livraria Francesa , na Barão de Itapetininga e me meti a ser leitor na lingua do croissant e da champagne. E como dizia o Barão de Charlus: “não sem esforço…” Tinha tido quatro anos de francês no meu ginasial e achava que dava para encarar. Bom, sei lá, apanhei um bocado, mas enfim, voilá e etecerá.

Mas falemos das edições Folio. Bem feitas, com capas lindas, sempre com fundo branco, papel jornal e letras escuras, textos clássicos, fino biscoito. E, principalmente, que cabiam no meu bolso de estudante . Mas depois quando o câmbio ficou sem graça e o meu salário risível, a Folio continuou entrando na minha casa graças a umas cestas de vime que a Livraria Francesa colocava nos cantos, cheia de livros pechinchados , saldões com o precinho escrito a lápis na última página.

Pois foi nessas bacias das almas que comprei todo o meu Proust e aí passei os meus mais recentes anos na Swannlândia.

Vejo que há livros de bolso nas bancas, acho que são da LPM. Há os da Companhia das Letras, que tem um jeitão da Penguin. Já sonhei em ter uma estante cheia de livros clássicos como os da Pleiade , da Nova Aguilar em capas refinadas.

Mas sou louco por 1972, pelas quarentonas (editoras, claro )  e pela busca do tempo perdido . Dizem que há uma edição chamada Folio 1623 , do William Shakespeare, que vale uma fortuna. Deve ser , no entanto, menos valiosa que o brilho do menino que fui quando comprei o meu primeiro livre de poche , sem entender nem dez por cento do que estava escrito.

Aliás, nem me lembro que livro foi.

 Mas era da Folio. 

 

13

de
janeiro

Maratonistas

Tenho um amigo que é corredor de maratonas, mini-maratonas, mega-percursos e sei lá mais o que. Quando ele me conta suas provas , só de ouvir o seu relato já fico cansado. Mas o que mais me espanta é que ele , além de correr muitos quilômetros, ainda para em restaurantes e come bacalhoadas ou moquecas, bifões ou feijoadas,  sempre acompanhado de cervejas ou vinhos.

Bem, eu não sei nada de corrida, mas achava que o atleta tinha mais que se alimentar antes e , no máximo, beber água. Mas parece que não é bem assim. Na última São Silvestre, que choveu prá burro, nem aqueles copinhos de água foram oferecidos ( ou a televisão não mostrou ).

Mas vejo que estou completamente equivocado. Li que o primeiro medalha de ouro na Maratona, nas Olimpiadas de 1896, em Atenas, foi o cara da foto ( que correu com essa roupa exótica , ou melhor, grega…) . Ele se chamava Spyridion Louis e era de um subúrbio ateniense. Pois conta a lenda que ele, nos quarenta e dois quilômetros da prova, parou para beber vinho, leite, cerveja e uma dose de conhaque. Para comer, traçou um ovo de páscoa ( não sei se os gregos o fazem com chocolate ) e meia laranja. Quando entrou no estádio, foi o maior delírio . A coisa foi tão louca que até o rei a a rainha da Grécia desceram na pista e acabaram a corrida com ele. E além da medalha, ganhou do rei um presente surpreendente.

Pois o rei disse que ele poderia escolher qualquer coisa. E sabe o que o Spyridion pediu ? Uma charrete para ser puxada pelo seu burro, no transporte de água, sua profissão original ! Depois ele parou de correr e , no seu bairro, teve o prêmio de nunca mais pagar cortes de cabelo e barba, pois os barbeiros tinham feito essa promessa aos deuses olímpicos.

Pois então ficamos assim. Viva a maratona e as paradinhas para comer e beber. E viva o Rio 2016 !

6

de
janeiro

Eve Arnold e a solidão

Eve Arnold , uma das maiores fotógrafas do século passado, nos deixou, aos 99 anos. Fotografou muito, é difícil escolher a melhor foto.

Mas eu fico na dúvida entre a solidão de Monroe no deserto ou a de Dietrich no camarim.

4

de
janeiro

Assim é

Se lhe parece. O meu cerébro ou o meu habitat ?

Para mim, um ambiente agradável.

Mas pode ser que a faxineira reclame um pouco…

E meus amigos também…

31

de
dezembro

No duro chão de pedra

Uma vez escrevi para o Daniel Piza que ele não devia ter tanto orgulho em se dizer ateu. Afinal, ninguém ganharia nada com essas palavras. Ele ficou de pensar, mas nunca me respondeu . E agora, que foi embora, fico com a última palavra.

Talvez ele esteja com Deus, afinal, dizer em vida que não se acredita Nele, é fato corriqueiro. Deus é muito maior que um sujeito mesquinho.

Agora, como pode levar um jovem de 41 anos que não fazia mal algum, se não ser um tanto quanto ingênuo por achar que a cultura basta , é coisa inexplicável .

E nós que ficamos aqui, ainda, só temos que pensar no poema do Rilke, que pergunta a Deus o que será Dele, quando for a nossa vez.

  - Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?

Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Eu sou o teu vaso - e se me quebro?
Eu sou tua água - e se apodreço?
Sou tua roupa e teu trabalho
Comigo perdes tu o teu sentido.

Depois de mim não terás um lugar
Onde as palavras ardentes te saúdem.
Dos teus pés cansados cairão
As sandálias que sou.
Perderás tua ampla túnica.
Teu olhar que em minhas pálpebras,
Como num travesseiro,
Ardentemente recebo,
Virá me procurar por largo tempo
E se deitará, na hora do crepúsculo,
No duro chão de pedra.

Que farás tu, meu Deus? O medo me domina.

(Tradução: Paulo Plínio Abreu)

Daniel, uma lágrima ( como você sempre dizia )

30

de
dezembro

Conselho para o ano novo

Temos que enfrentar as dificuldades, não?

Pois que o ano de 2012 chegue. E cada problema, terá o meu assobio.

Feliz ano para todos !

http://www.youtube.com/watch?v=JMu6hNggFnM

28

de
dezembro

Previsões para 2012

Algo me diz que no ano que vem eu vou prometer perder peso , prometer trabalhar menos e tentar não me irritar com muita coisa. Sem contar as besteiras econômicas que farei.

Isso em janeiro. Mas já em fevereiro , perceberei que é dificílimo conseguir cumprir tais coisas.

Outra previsão furada : Kate Moss não irá trocar a Córsega por banhos de sol na piscina do meu prédio, na Vila Mariana.

25

de
dezembro

A adoração certa

O que é o natal ? Bem, para as crianças , os presentes . Para os glutões, a mesa farta. Para os mais cultos ( ou mais frescos ) a dúvida sobre o quadro A adoração dos pastores . Afinal , é Giorgione ou é Ticiano ?

Mas para mim, se é que estou sendo atraido pela luz , é o amor.

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